Glifosato e Meio ambiente

A biodiversidade pode ser descrita como a variedade evidente entre os organismos vivos. O conceito também abrange a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas. A biodiversidade é importante porque todas as plantas, animais, insetos e micro-organismos interagem e dependem um do outro para recursos importantes como comida, abrigo ou oxigênio. Todos os organismos estão, portanto, interligados, e cada um desempenha o seu papel no “círculo da vida”. Qualquer perda de biodiversidade ameaça a existência de espécies individuais e coloca em risco os ecossistemas e agroecossistemas dos quais os seres humanos dependem para o fornecimento de alimentos e matérias-primas.

À medida que a população mundial cresce e a demanda por alimentos e outros recursos, como água, terra e energia aumenta, a preservação da biodiversidade pode ser percebida como um grande desafio para a sociedade. Além disso, as consequências das alterações climáticas e do declínio de certas espécies e de seus respectivos habitats mostram que a capacidade dos ecossistemas de se adaptar a essas mudanças está diminuindo constantemente.

Governos ao redor do mundo e diversas entidades reconhecem a perda de biodiversidade como um grande problema e os esforços para resolver a questão são evidentes em vários níveis. A ONU (Organização das Nações Unidas), por exemplo, declarou o período de 2011-2020 como a Década das Nações Unidas para a Biodiversidade, com o objetivo de promover a implementação de um plano estratégico para a biodiversidade e a visão da Organização sobre a importância de viver em harmonia com a natureza.

Embora a agricultura moderna venha sendo identificada como uma das principais causas da perda da biodiversidade, práticas agrícolas sustentáveis podem contribuir para a sua conservação. O principal desafio para a agricultura é o de proporcionar alimentos e energia para todos em quantidade suficiente e, ao mesmo tempo, contribuir para que os impactos sobre a biodiversidade sejam minimizados.

O sistema agrícola que sustenta a produção de alimentos depende da diversidade biológica, que além de garantir alimentos e renda, também gera matérias-primas para vestuário, abrigo, medicamentos, recursos genéticos para o cultivo e a criação de animais e proporciona outros benefícios, como a conservação do solo e da água – todos essenciais para a sobrevivência humana e a prosperidade econômica.

Em termos da produção de alimentos e energia, o controle de insetos, doenças e plantas daninhas é essencial para que a produtividade desejada das culturas seja atingida. Em relação às plantas daninhas, as quais podem causar prejuízos de até 30% na produtividade das culturas, as práticas para o seu controle (física, química ou biológica), têm uma forte influência sobre a biodiversidade no campo.

O impacto regional dessas práticas sobre a biodiversidade em uma escala mais ampla é determinado pelas características locais, entre as quais, o tamanho das áreas agrícolas, topografia, faixas de proteção e sistemas de cultivo, que podem ser incorporadas ao planejamento de uso do solo. Dentre os métodos de controle existentes, os herbicidas destacam-se como a ferramenta mais eficiente, econômica e prática para o manejo de plantas daninhas como parte de um programa de gestão das culturas. O glifosato é um dos ingredientes ativos utilizados em produtos herbicidas, e a sua grande utilização pelos agricultores, em todo o mundo, é uma indicação de seus benefícios agronômicos e sua eficácia no controle da vegetação indesejável.

O uso do glifosato possibilitou o incremento da adoção das principais práticas da agricultura conservacionista, que são o sistema do plantio direto (SPD) e o sistema de integração pecuária – lavoura – floresta (IPLF), métodos esses que contribuem de forma significativa na conservação do solo e na redução do impacto da agricultura nos ecossistemas.

Plantio direto é um sistema de produção conservacionista que se contrapõe ao sistema tradicional de manejo, envolvendo técnicas de produção que preservam a qualidade ambiental e fundamentam-se na ausência do preparo do solo e na sua cobertura permanente pela realização da rotação de culturas. Esse sistema também é responsável para a manutenção da umidade e aumento do teor de matéria orgânica do solo, bem como por fixar parcela do carbono das culturas, reduzindo-se assim as emissões de gases que provocam o efeito estufa.

O sistema integração pecuária – lavoura – floresta é um novo conjunto de práticas agrícolas que permitem a exploração mais racional do solo através do uso de diferentes tipos de cultivo que se reciclam, possibilitando maior produção de alimento, proteína animal e energia por unidade de área.

Segundo a ONU, “o uso sustentável dos recursos naturais devem suprir as necessidades da geração presente, sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas”.

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