Perguntas Frequentes – Glifosato

1- O que é glifosato? O glifosato é um herbicida de amplo espectro, o que significa que ele é capaz de controlar a maioria das plantas daninhas. Os herbicidas são utilizados pelos produtores rurais de todo o mundo para evitar que o desenvolvimento de plantas daninhas diminua a produtividade das lavouras. Nas plantações, as plantas daninhas disputam luz solar, água e nutrientes com as lavouras, além de abrigar insetos e vetores de doenças que também podem reduzir a produtividade agrícola.

2- O Brasil é o maior consumidor de praguicida no mundoNão temos esse dado. O que sabemos é que o Brasil é o maior país produtor de alimentos em zona tropical do mundo, com cerca de 260 milhões de hectares ocupados por lavouras e pastagens, por possuir condições ótimas para o crescimento das culturas agrícolas. No entanto, essas mesmas condições propiciam o desenvolvimento de populações de diversas espécies de plantas daninhas, insetos-praga e doenças, que necessitam ser controlados por meio de praguicidas . Esse cenário explica por que, nos últimos anos, vimos crescer a pressão de várias pragas e doenças, como a lagarta Helicoverpa armigera e a ferrugem asiática, sendo necessário um maior número de aplicações. As condições únicas da agricultura brasileira também dão outra grande vantagem ao país: poder plantar e colher duas ou três safras por ano em uma mesma área. Para proteger todas essas safras, é necessário usar praguicidas  em cada uma delas – a soja plantada no verão e o milho no inverno, por exemplo.

3- Quantas são as empresas que comercializam o glifosato no Brasil? Atualmente, cerca de 50 empresas possuem produtos que têm o glifosato como ingrediente ativo registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

4- O glifosato causa câncer ou outras doenças em quem aplica e em quem consome? Não há nenhuma evidência científica que demonstra qualquer relação de causalidade entre o uso do glifosato e aumento da incidência de câncer. As agências regulatórias mais exigentes do mundo, como a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e o Instituto Federal de Avaliação de Risco da Alemanha (BfR) concluíram que o glifosato é um produto seguro quando seguidas as doses e recomendações de uso presentes nas bulas e nos rótulos. Para estar no mercado, todo praguicida , incluindo o herbicida glifosato, precisa atender padrões rigorosos determinados por agências regulatórias de cada um dos países, visando proteger a saúde humana e animal e o meio ambiente. Para aprovar o registro do glifosato, essas agências avaliam uma grande quantidade de estudos.

5- Se o glifosato é seguro, por que a Agência Internacional de Pesquisas sobre Câncer (IARC) classificou o glifosato como “provavelmente carcinogênico”? A Iarc realiza apenas a classificação do perigo de substâncias químicas, o que difere completamente da avaliação do risco realizado pelas agências regulatórias. Ou seja, a Iarc avalia se a substância pode ser ou não ser perigosa (independente da quantidade utilizada – 1g ou 100kg , via de exposição, etc). Já a avaliação das agências regulatórias envolve um estudo aprofundado de todas as evidências científicas disponíveis, uma análise qualitativa dos fatos e, principalmente, uma análise quantitativa do risco; o que não é realizado pela Iarc e representa uma análise muito mais completa.

Os sistemas regulatórios mais robustos e rigorosos do mundo, como os da União Europeia e dos Estados Unidos, que não encontraram no glifosato riscos de causar câncer em seres humanos após revisões extensas de testes de longa duração. A Iarc chegou a essa conclusão após analisar um número pequeno de estudos, muitos dos quais já avaliados por essas e outras agências regulatórias de diferentes países. O exemplo mais recente que podemos mencionar é a conclusão da avaliação de risco feita pela agência de avaliação de risco da Alemanha, a BfR.

Vale ressaltar ainda que muitos dados científicos sobre o glifosato não foram levados em conta pela Iarc; que ela não é uma agência regulatória e que a classificação feita pela entidade não significa que o glifosato é cancerígeno. Mas o mais importante é que a classificação da Iarc diverge das avaliações complexas dos inúmeros estudos disponíveis realizados e analisados por cientistas e agências regulatórias de todo o mundo.

6- O glifosato é o praguicida mais usado na agricultura?  Sim. O glifosato é uma das moléculas mais eficientes entre os herbicidas já introduzidos no mercado para o controle de plantas daninhas e, por isso, ele é usado em todas as principais áreas agrícolas do mundo. Entre suas características estão o amplo espectro de ação, a alta eficiência e o reduzido impacto no meio ambiente e na saúde humana.

7- O glifosato está sendo banido de outros países?  Não. Assim como outros químicos comerciais, o glifosato passa por reavaliações periódicas. Atualmente, é comercializado por mais de 50 em mais de 160 países.

8- Quais são os órgãos que aprovam a utilização de agrotóxicos no país?  No Brasil, os praguicidas  passam por um amplo processo de avaliação. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão federal encarregado de avaliar os riscos dos agrotóxicos à saúde, e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) avalia os riscos dos produtos para o meio ambiente. Por fim, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) avalia a eficiência agronômica e concede o registro quando o produto está aprovado nas diferentes avaliações.

9- O glifosato pode ou deve ser banido em uma reavaliação da Anvisa?  O glifosato, assim como diversos outros princípios ativos de praguicidas , encontra-se em processo de reavaliação, conforme determina a legislação brasileira. A reavaliação é um processo normal, realizado por agências regulatórias de todo o mundo. No Brasil, um grupo de aproximadamente 50 empresas que possuem registro de produtos à base de glifosato foi formado para colaborar com o processo de reavaliação da Anvisa.

Embora a reavaliação continue em andamento, a Anvisa informou recentemente que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que preparou as análises dos defensivos em reavaliação, não recomenda o banimento do glifosato do mercado brasileiro, sendo essa mais uma importante informação sobre a segurança do produto.

10- Por que o cultivo de transgênicos faz aumentar a aplicação de agrotóxicos? A proposta não é diminuir?  Sim, as sementes transgênicas racionalizam o uso de praguicidas , por meio de duas características principais: proteção contra insetos, que muitas vezes substitui os inseticidas como forma de controle; e tolerância a herbicidas, para o controle de ervas daninhas.

Não se pode simplesmente associar o aumento no uso de praguicidas  no Brasil ao crescimento do plantio de sementes transgênicas. Nos últimos anos, o Brasil viu aumentar a pressão de pragas e doenças (como a lagarta Helicoverpa armigera e a ferrugem asiática), aumentou a área plantada e intensificou o uso de tecnologia, resultando em um grande aumento da produtividade. Ou seja, sem a adoção da biotecnologia, é possível que a utilização de defensivos agrícolas tivesse crescido mais.

O levantamento da literatura sobre mudanças no uso de praguicidas  com a adoção  das culturas transgênicas mostra que a alternativa convencional   invariavelmente resulta em níveis mais altos de uso de praguicidas  do que os que existem atualmente com as culturas transgênicas. Isso significa que se, de um lado, o uso total de praguicidas  com as culturas transgênicas no mundo aumentou nos últimos anos, provavelmente teria aumentado ainda mais se, em lugar dessas culturas, fossem utilizadas culturas convencionais (não modificadas).

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